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Alan Turing: Pai da Ciência da Computação

Hodiernamente, o uso de microcomputadores e smartphone é algo cotidiano e corriqueiro. Acessar emails, assistir filmes, escutar músicas, fazer conferências e mandar mensagens estão a poucos cliques ou toques. Porém, você sabe como e quando começou-se a desenvolver tais tecnologias? Quem desenvolveu e qual o contexto histórico?


Durante a Segunda Grande Guerra, os integrantes do Eixo (união político-econômica formada pela Itália, Japão e Alemanha) utilizaram-se, durante muito tempo, de uma tecnologia construída no final da Primeira Guerra Mundial: a Máquina Enigma. Um mecanismo capaz de criptografar uma mensagem à partir de uma chave privada (se quiser entender um pouco mais de como o processo de criptografia funciona, leia nosso artigo sobre criptografia). Dessa forma, somente outros membros do Eixo poderiam descriptografar a mensagem e compreendê-la, mesmo que ela fosse interceptada pelos Aliados (união político-econômica formada pela Grã-Bretanha, França, Estados Unidos e URSS). A chave de criptografia era alterada todo dia, dificultando ainda mais o trabalho de compreensão da Máquina Enigma.





Numa grande tentativa de decifrar o que estava sendo transmitido pelo Wehrmacht (exército alemão), a Grã-Bretanha cedeu aos Aliados chaves criptográficas enquanto a França cedeu uma cópia da Máquina Enigma. Dessa forma, formou-se uma comissão de estudos em torno dos métodos e procedimentos necessários. Essa comissão contava com diversos cientistas de diferentes nacionalidades, entre eles, Alan Mathison Turing.

Alan Turing, como era conhecido, nasceu no dia 23 de junho de 1912, em Londres na Inglaterra. Seu pai trabalhava como oficial em Madras Presidency (uma região administrativa para gerenciamento da Índia, que na época era um território dependente da Inglaterra). Sua mãe, era filha de um engenheiro-chefe, e trabalhava com assuntos relacionados.





Turing possuiu acesso à uma educação formal desde criança. Estudou em diferentes escolas, como Hazelhurst Preparatory School e Sherborne School. Em seu primeiro dia de aula, uma greve geral ocorreu na Grã-Bretanha e o impediu de ir de trem. Então, Turing percorreu 100 km de bicicleta para chegar à escola.


Com o tempo, ainda em Sherborne, Turing desenvolveu um grande interesse pelas ciências exatas e pela matemática (apesar de possuir notas regulares). Há relatos também que foi nessa época que ele encontrou seu primeiro amor, Christopher Morcom, que faleceu em 1930 devido à tuberculose bovina, quando Turing tinha 18 anos. Anos depois, Turing ingressou na Universidade de Cambridge, onde se graduou em 1934 com honras, dedicando-se, à partir desse momento, ao estudo da matemática e criptografia.





Depois de se graduar, em 1936, Turing apresentou uma teoria acerca da construção de uma máquina capaz de realizar cálculos e equações de maneira automatizada, ganhando destaque na área. Entre 1936 e 1938, focou-se nos estudos em Princeton, onde obteve seu PhD. Posteriormente, retornou à Inglaterra e passou a integrar uma organização do governo britânico, responsável por quebrar códigos e enigmas, chamada Government Code and Cypher School.


Em 1939, em setembro, com o começo da Segunda Grande Guerra, Turing ingressou em Bletchley Park, lugar que reuniu grandes matemáticos e criptógrafos com o objetivo de interceptação e decodificação das diferentes mensagens transmitidas.


Durante sua estadia na instalação, os esforços de Alan Turing e de alguns outros cientistas culminaram na criação da Bomba Eletromecânica (The Bombe), capaz de identificar, numa velocidade impressionante, a chave utilizada para criptografar a mensagem naquele dia.


O matemático também foi o responsável por recrutar Tommy Flowers para o departamento de criptografia de Bletchley Park. Flowers, anos depois, acabou sendo o responsável pela construção do Colossus, uma importante máquina que decifrou o código de uma outra máquina de criptografia alemã chamada Lorenz.


A máquina utilizada pelos britânicos na decodificação foi resultado do trabalho de Turing. Ele inspirou-se no polonês Marian Rejewski. A execução do trabalho foi realizada pelo engenheiro Harold Keen. A importância de Turing dá-se pelo fato de que ele percebeu a fragilidade da Bomba Eletromecânica construída pelos poloneses e propôs um modelo mais potente e robusto.





É mister dizer que já se conseguia encontrar a chave utilizada manualmente, devido ao esforço coletivo de diversos estudiosos. Porém o tempo até que a chave fosse encontrada era longo, e diversas vidas e informações cruciais eram perdidas no intervalo.


As diversas mensagens decifradas pela máquina construída por Turing faziam parte do Ultra — departamento de inteligência britânico responsável por interceptar e decifrar as mensagens enviadas pelos sistemas de comunicação do Eixo. O Ultra teve atuação destacada na receptação de mensagens alemãs e contribuiu também para decifrar códigos japoneses.


Chegando a contar com mais de seis mil trabalhadores, o departamento era gigantesco. Alan Turing, dentre esses, se destacou. Por conta de sua importância, o departamento era conhecido apenas pelo mais alto escalão do governo e do exército britânico. Os líderes da oposição, por exemplo, nunca souberam como os britânicos conseguiam obter informações.


Após o término da guerra, Turing prosseguiu pesquisando e trabalhando no desenvolvimento de um computador e de uma inteligência artificial. Vinculado ao governo teve participações em diversos locais importantes, como o National Physical Laboratory e a Universidade de Manchester.


Em 1952, o matemático teve sua residência assaltada pelo rapaz com quem vivia um relacionamento. Ao admitir para a polícia seu relacionamento com o assaltante, Turing foi indiciado por “indecência grave”. A homossexualidade era proibida na Inglaterra.


Após ser condenado, o matemático foi forçado a afastar-se de seu trabalho. Para evitar ser preso, Turing aceitou um “tratamento” à base de estrogênio (hormônio feminino), que, na verdade, consistia em uma castração química. Em 8 de junho de 1954, aos 41 anos de idade, Alan Turing foi encontrado morto em sua casa.


O que levou a morte foi envenenamento por cianeto, possivelmente após ingerir uma maçã com esse composto. Sua morte foi registrada como o resultado de um suicídio, embora familiares do matemático tenham argumento, anos depois, que a ingestão aconteceu por engano. Até hoje não existe uma resposta concreta para sua morte.


Em 2009, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown desculpou-se publicamente pelo modo como o governo britânico procedeu com Alan Turing após a guerra. Em 2013, a rainha Elizabeth II concedeu o perdão real ao cientista, livrando-o postumamente de sua condenação prévia por sua homossexualidade.



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